
Que horror! Como aquele homem blasfemava, zombava e xingava! E no meio da mesa rodeada pelos “amigos” estava a garrafa de aguardente. Que escuridão havia naquele coração! Com olhos frios, o homem me encarou: “Não, obrigado”, disse ele, “não precisamos de Deus. Ele deveria ter estado presente quando sofri o acidente. Agora vou passar o resto da minha vida nesta maldita cadeira de rodas”.
Eu já conhecia a história deste homem e do seu acidente. Ele era mineiro. E um dia quando estava trabalhando dentro da mina a parte de cima da montanha desabou. Ele foi resgatado com vida dos escombros de pedra. Mas sua coluna estava quebrada. Agora ele era um homem paralisado no auge da vida sem qualquer esperança de melhora. Depois de um tempo, pessoas que se importavam com ele o levaram para o nosso encontro bíblico. No início ele reclamava, mas interiormente ele gostava. Por isso, a partir do primeiro dia, a cadeira de rodas e seu ocupante passaram a fazer parte dos nossos encontros. A Palavra de Deus teve seu efeito maravilhoso nesse coração obscuro. O homem reconheceu que seu maior mal era seu estado de perdido no pecado. Ele começou a buscar a paz em Deus, encontrou Jesus na cruz e experimentou o benefício do perdão dos pecados, pelo sangue de Jesus. Sua casa desarrumada ficou organizada. Os velhos amigos se afastaram, ainda irritados com Deus, mas ele tinha mudado: onde antes só se ouviam xingamentos e palavrões, agora soavam canções de Jesus. A garrafa de bebida desapareceu. Em vez disso, a Bíblia estava sobre a mesa. A esposa e os filhos reviveram.
Resumindo: Jesus renovou tudo.
Um dia, fui visitá-lo. Sua cadeira de rodas estava em frente à casa. Sentei-me ao lado dele. “Pastor”, disse ele, “quando eu estiver na eternidade diante do trono de Deus, quero agradecer a Ele por ter quebrado minha coluna. Sim, veja, se Deus tivesse me deixado andar, eu teria ido direto para o inferno. Ele me alcançou com Seu amor salvador para me levar à conversão. E é por isso que eu vou agradecer a Ele.” Fiquei profundamente comovido.
Do livro “Kleine Erzählungen” Band 1, Wilhelm Busch pg. 48-50, CLV


